Fim da escala 6x1 pode elevar custo do trabalho em 22% e gerar efeitos negativos para o setor empresarial
- sincomaco
- há 2 dias
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A proposta de eliminação da escala 6x1 — que prevê a redução da jornada semanal de trabalho sem compensação salarial proporcional — pode provocar um aumento de até 22% no custo da hora trabalhada, segundo levantamento técnico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo.
A elevação decorre da diminuição da carga horária semanal sem redução correspondente na remuneração, o que encarece diretamente o custo unitário da mão de obra para as empresas.
Exemplo prático do impacto na folha de pagamento
Modelo atual (44 horas semanais):
• Salário hipotético: R$ 2.200
• Custo da hora trabalhada: R$ 10,00
Modelo proposto (36 horas semanais, com manutenção do salário):
• Salário hipotético: R$ 2.200
• Custo da hora trabalhada: R$ 12,2
= Redução da carga horária: -18,2%
= Aumento no custo da hora trabalhada: +22,2%
Para efeito de comparação, reajustes reais negociados em convenções coletivas costumam variar entre 1% e 3% ao ano, patamar significativamente inferior ao impacto estimado da medida.
Impactos econômicos e setoriais
O estudo aponta que:
Cerca de 63% dos vínculos formais no Brasil estão registrados com jornada entre 41 e 44 horas semanais, o que demonstra a ampla abrangência potencial da mudança;
Setores intensivos em mão de obra, como varejo (89%), agricultura (92%) e construção civil (91%), concentram grande parte dos trabalhadores no modelo 6x1;
Há estimativa de eliminação de até 1,2 milhão de postos de trabalho formais já no primeiro ano de vigência, em razão da pressão adicional sobre a folha de pagamento.
Além do aumento direto do custo da hora trabalhada, o levantamento elenca uma série de efeitos econômicos adicionais, entre eles:
Pressão inflacionária, com possibilidade de repasse dos custos aos preços de produtos e serviços;
Redução da competitividade das empresas brasileiras, especialmente frente a mercados com menor custo laboral;
Impacto mais severo sobre micro e pequenas empresas, que possuem menor margem para absorver aumentos abruptos de despesas;
Desestímulo à formalização e à geração de novos empregos, diante do encarecimento da contratação;
Aceleração de processos de automação e mecanização, como forma de compensar o aumento da folha;
Dificuldades operacionais em setores que demandam funcionamento contínuo, exigindo reorganização de escalas e possível contratação adicional;
Risco de fechamento de empresas menos capitalizadas, especialmente em segmentos de baixa margem.
Efeitos sobre MPMEs e economia
Micro, pequenas e médias empresas — responsáveis por parcela expressiva da geração de empregos no País — tendem a ser particularmente afetadas pela alteração da jornada sem mecanismos compensatórios.
Sem aumento correspondente de produtividade, a elevação dos custos pode comprometer planejamento financeiro, investimentos e expansão das atividades.
Possíveis reflexos para os setores representados
A eventual mudança constitucional, sem mecanismos de transição ou medidas compensatórias, pode gerar impactos econômicos relevantes para os setores representados pelo SINCOMACO, especialmente aqueles com alta intensidade de mão de obra.
Os dados apresentados indicam que a medida poderá produzir efeitos significativos sobre a estrutura de custos das empresas. O SINCOMACO seguirá acompanhando a evolução do tema e seus desdobramentos para as empresas representadas.




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