Baixa produtividade amplia desafios para empresas diante das discussões sobre jornada de trabalho
A produtividade do trabalho no Brasil tem avançado em ritmo cada vez menor, cenário que aumenta os desafios para as empresas diante das discussões sobre possíveis mudanças na jornada de trabalho. O tema foi analisado pela FecomercioSP a partir de dados das últimas três décadas e de estudos do economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
Segundo a análise, a produtividade por hora trabalhada apresentou crescimento médio de 1,2% ao ano entre 1995 e 2010. De 2010 a 2025, esse avanço caiu para 0,4% ao ano. A redução do ritmo de crescimento significa que as empresas encontram mais dificuldades para ampliar a produção sem elevar proporcionalmente a utilização de trabalho, capital e outros recursos.
Produtividade e custos estão diretamente relacionados
O aumento da produtividade é um dos fatores que permitem às empresas absorver custos, ampliar investimentos e melhorar a remuneração dos trabalhadores. Quando os ganhos de eficiência são reduzidos, mudanças que aumentem o custo da mão de obra podem representar um desafio adicional para os negócios.
Esse aspecto ganha importância no atual debate sobre a redução da jornada de trabalho. Uma diminuição das horas trabalhadas, sem correspondente aumento da produtividade, pode exigir reorganização das operações, contratação de trabalhadores adicionais ou ampliação dos custos relacionados à mão de obra, dependendo das características de cada atividade.
A análise da FecomercioSP destaca justamente a necessidade de considerar a relação entre horas trabalhadas, produtividade, emprego e custos antes de promover alterações na jornada.
Impactos podem variar entre os setores
Os efeitos de uma eventual mudança na jornada não são iguais para todas as atividades econômicas. O setor de Serviços, por exemplo, concentra mais de sete em cada dez trabalhadores brasileiros, enquanto Comércio, transporte e outras atividades possuem características próprias de funcionamento, atendimento e organização do trabalho.
Por isso, alterações nas horas trabalhadas podem produzir impactos diferentes sobre custos, eficiência e emprego, de acordo com o modelo de operação de cada empresa.
No comércio atacadista e distribuidor, aspectos como horários de funcionamento, logística, recebimento e expedição de mercadorias, atendimento aos clientes e organização das equipes precisam ser considerados na avaliação dos possíveis efeitos de mudanças na jornada.
Ganhos de produtividade ganham importância
Outro fator destacado pela análise é a redução do chamado bônus demográfico, que contribuiu para o crescimento da renda brasileira nas últimas décadas. Com menor contribuição desse componente, o aumento da produtividade passa a ter papel ainda mais relevante para sustentar o crescimento econômico.
Nesse contexto, investimentos em tecnologia, qualificação profissional, organização dos processos e melhoria da eficiência podem ganhar importância para que as empresas consigam produzir mais com os recursos disponíveis.
A discussão sobre jornada de trabalho, portanto, envolve não apenas a quantidade de horas trabalhadas, mas também a capacidade de manter a produção e a prestação de serviços diante de eventuais mudanças.
Debate exige análise dos impactos para as empresas
A relação entre produtividade e jornada deve ser considerada nas discussões sobre alterações nas regras trabalhistas. A avaliação dos possíveis efeitos sobre custos, emprego e capacidade de produção é especialmente relevante para empresas que operam com margens reduzidas ou dependem de equipes dimensionadas de acordo com horários específicos.
O estudo apresentado pela FecomercioSP reforça que eventuais mudanças na jornada precisam ser analisadas considerando as diferenças entre os setores e a necessidade de ganhos de produtividade, negociação e capacidade de adaptação das empresas.
A FecomercioSP disponibiliza o e-book “Produtividade: o desafio por trás da jornada”, que reúne dados e simulações sobre a evolução da produtividade, das horas trabalhadas e do emprego no Brasil nas últimas décadas.




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